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Pânico 7 (2026)

  • Diego Nicolau
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Pânico 7 chega prometendo mais um jogo mortal, na trama, uma nova onda de assassinatos coloca novamente a cidade sob o domínio da máscara do Ghostface. Entre retornos aguardados e novas vítimas em potencial, o filme tenta transformar memória em combustível dramático enquanto reacende o cenário clássico que marcou o início da saga.

Como experiência cinematográfica, Pânico 7 parece menos um novo capítulo e mais um eco insistente. A franquia, que nasceu em 1996 reinventando o slasher com ironia e consciência metalinguística, aqui soa cansada, como se estivesse repetindo seus próprios truques diante de um espelho rachado. A sensação é de que a nostalgia virou muleta. Em vez de tensionar o público, o filme parece contar com o reconhecimento automático dos fãs. É como se dissesse: “Lembra disso?” o tempo todo, mas raramente pergunta “E agora?”.


O suspense, que deveria ser o coração pulsante da narrativa, quase não respira. As sequências de perseguição até existem, mas não constroem ansiedade real. As resoluções chegam rápido demais, como se o roteiro tivesse pressa de concluir o jogo antes que o público consiga entrar nele. A revelação do assassino, tradicionalmente o grande momento catártico da franquia, carece de clímax. Falta aquele impacto que reorganiza tudo o que vimos antes. Aqui, a sensação é mais de “ok” do que de “meu Deus”.


Uma das decisões mais controversas é a destruição da casa original do primeiro filme. Aquele espaço não é apenas cenário, é quase um personagem histórico do terror moderno. Queimá-la deveria carregar um peso simbólico devastador. No entanto, a escolha parece mais um gesto visual dramático do que uma consequência orgânica da narrativa. Falta justificativa emocional.


O contexto turbulento envolvendo as protagonistas dos capítulos anteriores claramente impacta a estrutura do filme. A ausência e a reorganização de personagens criam um vazio perceptível. O roteiro tenta contornar isso com retornos estratégicos e apelos afetivos, especialmente ao trazer de volta figuras icônicas da saga. E, de fato, há momentos em que essa presença resgata alguma densidade emocional. Porém, isso não é suficiente para sustentar duas horas de história que precisa mais do que lembranças para funcionar.


Este é o capítulo mais fraco da franquia, roteiro previsível, ritmo irregular e falta de frescor criativo. Ainda que haja diversão pontual para fãs do slasher clássico, o consenso geral gira em torno de desgaste e repetição.


No fim das contas, Pânico 7 parece um filme que tenta sobreviver dentro da própria lenda. Ele revisita símbolos, reacende cenários, chama fantasmas antigos para dançar mais uma vez. Mas esquece que a força original da franquia nunca foi apenas nostalgia.


Talvez o maior medo que o filme provoque não esteja na tela, mas fora dela: o medo de que a franquia esteja repetindo seu próprio final há tempo demais.

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