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Alerta Apocalipse (2026)

  • Diego Nicolau
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Alerta Apocalipse é um filme que parece existir num conflito constante consigo mesmo. A premissa é boa para o que ele entrega: um fungo capaz de dizimar a humanidade, um cenário claustrofóbico e um elenco que poderia sustentar tanto uma comédia absurda quanto um thriller de ficção científica mais sério. O problema é que o filme nunca decide qual desses caminhos seguir.

Em alguns momentos, ele funciona justamente quando abraça o pastelão. Há piadas que realmente acertam, situações exageradas que beiram o cartunesco e um certo charme no caos. Só que, logo depois, o filme tenta se levar a sério demais, como se quisesse ser um sci-fi respeitável, quase um thriller biológico com ambições dramáticas. Essa oscilação de tom quebra o ritmo e enfraquece tudo o que ele tenta construir.


A direção é funcional, mas sem personalidade, e as atuações acompanham essa indecisão tonal: alguns atores parecem entender que estão numa comédia absurda, enquanto outros atuam como se estivessem em um drama apocalíptico sério. O roteiro também sofre com essa falta de identidade. A lógica interna é frágil demais para sustentar o realismo científico que ele tenta sugerir, e contida demais para se entregar ao absurdo total que faria o filme abraçar o próprio ridículo com mais força.


Talvez o maior problema do filme seja justamente esse meio termo. Se o filme tivesse assumido o humor pastelão desde o início, inclusive nas decisões narrativas mais extremas, ele poderia ser um trash divertido, desses que viram cult pela ousadia. Em vez disso, ele fica preso entre o riso e a seriedade, sem se comprometer totalmente com nenhum dos dois.


No fim, Alerta apocalipse é um filme fraco, com alguns lampejos de diversão, mas sem identidade clara. Ele não é um desastre absoluto, mas também não deixa marca. Um caos tímido, quando poderia ter sido um caos glorioso.

 
 
 

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