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Marty Supreme (2026)

  • Diego Nicolau
  • 13 de jan.
  • 2 min de leitura

Marty Supreme é um daqueles filmes que chegam com barulho e justificam cada elogio, começando pela própria premissa: acompanhamos Marty Mauser, vivido por Timothée Chalamet, um sujeito movido por um sonho quase infantil de grandeza que, aos poucos, revela um ego voraz e inegociável, disposto a atravessar qualquer limite para se tornar “supremo” naquilo que acredita ser seu destino.

A direção de Josh Safdie imprime um ritmo elétrico e inquieto que nunca deixa o filme cair na repetição ou no conforto, mantendo o espectador vidrado até o último minuto, sempre com a sensação de que algo pode desmoronar a qualquer instante, como se a própria estrutura do filme estivesse constantemente à beira do colapso, exatamente como o psicológico do protagonista.


Chalamet entrega aqui uma atuação gigantesca, talvez a mais arriscada e pessoal de sua carreira, construindo um personagem magnético, arrogante e profundamente humano, capaz de gerar fascínio e repulsa na mesma medida, e não é exagero dizer que ele entra forte na disputa por prêmios, porque o que ele faz não é apenas interpretar um ambicioso, mas dar corpo a alguém que confunde sonho com identidade, sucesso com validação e persistência com teimosia cega.

O filme opera em camadas muito claras: fala de ambição, mas também do vazio que ela carrega; fala de ego, mas do ego como mecanismo de sobrevivência num mundo que só reconhece quem grita mais alto; fala de sonho, mas sobretudo do momento doloroso em que continuar sonhando talvez não seja mais coragem, e sim medo de aceitar o fracasso.


O roteiro é afiado justamente por não romantizar essa jornada, questionando o mito de que “quem insiste sempre vence” e colocando o espectador diante de uma pergunta incômoda: até onde vale sustentar um sonho quando, no fundo, você já percebe que ele talvez nunca se concretize e pior, quando ele começa a te afastar de tudo que te tornava humano.

Tecnicamente, o filme é impecável, com uma encenação pulsante, escolhas visuais precisas e um senso de urgência que reflete o estado mental de Marty, onde cada vitória parece insuficiente e cada derrota soa como uma ameaça existencial.

Não à toa, a recepção crítica foi extremamente positiva, destacando tanto a performance central quanto a coragem narrativa da obra, frequentemente apontada como uma das mais marcantes do ano. No fim das contas, Marty Supreme é um filmaço que gruda na cabeça não apenas pelo espetáculo ou pela intensidade, mas pela forma honesta e quase cruel com que expõe o custo emocional do sonho, escancarando uma questão simples e devastadora: quando o ego assume o volante, será que ainda estamos correndo atrás de um sonho ou apenas fugindo da ideia de que ele pode nunca ter sido suficiente?

 
 
 

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