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O Morro dos Ventos Uivantes (2026)

  • Diego Nicolau
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Morro dos Ventos Uivantes (2026) é um filme que aposta muito na força do cinema como imagem, atmosfera e presença. Dá pra sentir que ele quer ser uma adaptação grande, com peso, com ambição estética, e nisso ele realmente acerta. O trabalho técnico é muito bom: direção segura, cenários bem construídos, fotografia com um cuidado que dá textura pro drama e uma sensação constante de isolamento, como se aquele lugar estivesse engolindo os personagens aos poucos.


A história acompanha Catherine e Heathcliff desde o começo da relação, quando ainda existe uma inocência ali, até o momento em que isso vira outra coisa: um vínculo intenso, cheio de desejo, orgulho e ressentimento, que vai contaminando o tempo e as escolhas. O filme gira em torno desse amor que não consegue ser simples e que, por isso, vai se tornando destrutivo. Não é uma história romântica no sentido leve. É sobre como duas pessoas podem se amar e, ao mesmo tempo, se quebrar.


Margot Robbie e Jacob Elordi funcionam muito bem juntos. A química existe e é um dos pontos que mais sustentam o filme. Eles conseguem passar a sensação de um casal com uma conexão forte, mas também com uma dinâmica esquisita, instável, cheia de particularidades. Você entende o fascínio e entende por que isso vira um problema. E esse tipo de intensidade é o que faz o filme ter cara de sucesso de público. Na cabine de imprensa que eu vi, todo mundo parecia bem envolvido e curtindo. Eu sinceramente acho que ele vai performar bem em bilheteria.


O problema é que, apesar de tudo isso, a narrativa do filme me pegou num ponto . A linha do tempo é fragmentada, com saltos que às vezes parecem bruscos demais. Acontece uma coisa, corta, e já estamos anos depois. Depois outro corte, e mais tempo passou. Isso não é um problema por si só, mas aqui eu senti que prejudica a fluidez e, principalmente, a conexão emocional. O filme quer que você esteja profundamente ligado aos personagens, mas ele mesmo não te dá tempo suficiente pra construir isso com calma.


Eu demorei pra me conectar de verdade com eles. As cenas da infância têm momentos bons, mas passam rápido, e eu senti falta de uma construção mais orgânica desse laço inicial. Fica aquela sensação de que o filme já quer chegar no auge da tragédia e da intensidade antes de fazer a gente acreditar completamente no caminho.


No fim, é um filme que eu respeito bastante pelo nível técnico e pela forma como entrega atmosfera e tensão entre os protagonistas. Só que ele também tem um lado meio quebrado na estrutura, que me tirou um pouco da experiência. Eu gostei, mas saí com a sensação de que ele tinha tudo pra ser ainda mais forte emocionalmente do que realmente foi.

 
 
 

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