O Primata (2026)
- Diego Nicolau
- há 7 dias
- 2 min de leitura
Primata é um daqueles filmes que chegam sem grandes promessas, mas surpreendem justamente por entender muito bem o tipo de experiência que querem entregar. Em pouco mais de uma hora e meia, o filme constrói uma tensão constante, eficiente e, acima de tudo, divertida algo raro dentro do terror contemporâneo.

De volta da faculdade, Lucy se reúne com sua família, incluindo seu chimpanzé de estimação, Ben. O que seriam férias tropicais entre família e amigos se transforma em uma aterrorizante história de sobrevivência quando o chimpanzé tem um acesso de raiva. Lucy e seus amigos precisam lutar por suas vidas e encontrar maneiras de sobreviver a uma noite cheia de terror.
Desde os primeiros minutos, o roteiro se mostra consciente do próprio ritmo. Não há pressa, mas também não existe gordura. Cada cena parece pensada para manter o espectador em estado de alerta, criando uma sensação contínua de apreensão: a qualquer momento, algo pode sair do controle. E frequentemente sai. O texto funciona porque entende que o terror não está apenas no susto, mas na expectativa do impacto.
A direção aposta em uma encenação clara e objetiva. A câmera sabe quando observar e quando atacar, usando o espaço de forma inteligente para gerar desconforto. A tensão é construída mais pelo que se sugere do que pelo que se mostra e quando o filme decide mostrar, ele não economiza. O horror é físico mas nunca gratuito.
Um dos grandes méritos de Primata está no equilíbrio de tons. O terror funciona, mas o humor também. Esse jogo entre tensão e alívio é conduzido com precisão, evitando que o filme se torne monótono ou excessivamente pesado.
A duração enxuta é outro acerto. Com cerca de 90 minutos, Primata mantém o espectador grudado na tela do início ao fim. Não há tempo para distrações ou subtramas desnecessárias. É um filme que entende que, no terror, menos pode ser mais, desde que cada minuto seja bem aproveitado e aqui é.
No fim, Primata se revela um terror sólido, bem escrito e surpreendentemente divertido. Um filme que sabe criar tensão, sustentar o suspense e entregar uma experiência intensa sem se levar mais a sério do que deveria. Não reinventa o gênero, mas prova que, quando bem executado, o básico ainda pode ser extremamente eficaz.





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