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Resident Evil (2026)

Diego Nicolau
há 2 minutos
4 min de leitura

Resident Evil acompanha Bryan, um entregador de suprimentos médicos que recebe uma missão aparentemente simples: levar uma entrega até o Hospital Geral de Raccoon City. Só que, durante uma noite de neve, ele acaba no meio de um surto de criaturas e percebe que aquela cidade está vivendo um verdadeiro pesadelo. O que começa como uma simples entrega rapidamente se transforma em uma corrida desesperada pela sobrevivência.



Acho que Resident Evil funciona muito bem justamente porque entende o que faz um bom survival horror funcionar. O filme coloca o protagonista em situações em que sobreviver parece ser sempre a prioridade. Ele precisa fugir, se esconder, entender o ambiente, encontrar uma saída e descobrir aos poucos o que está acontecendo.


E isso cria uma sensação muito próxima de estar jogando.


Você acompanha o personagem entrando em determinados lugares sem saber exatamente o que vai encontrar, sendo perseguido por criaturas e tentando sobreviver ao próximo minuto. O filme consegue transformar essa sensação em linguagem cinematográfica sem precisar simplesmente reproduzir uma história dos jogos.


E o Zach Cregger sabe dirigir essas situações.


A direção é um dos pontos que mais me chamaram atenção. Ele sabe construir tensão, sabe trabalhar o espaço e, principalmente, sabe o momento de quebrar essa tensão. O filme tem jump scares, terror, violência, perseguições e criaturas, mas também tem muito humor.



E o humor funciona porque não transforma o filme em uma comédia. Ele está inserido dentro das situações e ajuda a criar personalidade para os personagens. Você consegue rir em uma cena e, poucos minutos depois, estar genuinamente tenso com o que está acontecendo.


Visualmente, o filme também funciona muito bem. As cenas de conflito são muito bem construídas, as perseguições têm energia e as criaturas conseguem transmitir aquela sensação de ameaça constante. Existem momentos em que o Bryan está simplesmente tentando escapar de alguma coisa e a direção transforma aquilo em uma sequência extremamente divertida de assistir.


E é aí que entra uma questão que, pra mim, é praticamente a única grande crítica que tenho ao filme.


O nome Resident Evil.


Porque esse nome carrega uma expectativa muito específica.


Eu não vou entrar em spoiler nessa parte, mas existem, sim, conexões com os jogos. O filme faz algumas ligações com esse universo e, principalmente no final, você entende melhor por que essa história está sendo contada dentro de Resident Evil.


Só que, para quem é muito fã dos jogos, eu ainda acho que é pouco.


Não temos os personagens clássicos como protagonistas. A história não é uma adaptação direta de um dos jogos e o filme também não utiliza muitos dos elementos que imediatamente fazem você pensar na franquia.


E eu consigo entender completamente alguém que entre no cinema esperando uma experiência mais próxima dos jogos e saia decepcionado por isso.


Mas isso não fez o filme funcionar menos para mim.


Porque existe uma diferença entre a quantidade de elementos de Resident Evil presentes no filme e a qualidade do filme que está sendo apresentado.


E, como filme de terror e sobrevivência, eu acho que ele funciona muito bem.


Ele tem identidade própria, tem uma direção muito segura, sabe ser engraçado, sabe criar tensão e consegue construir uma experiência que, em vários momentos, realmente passa aquela sensação de estar dentro de um survival horror.


Então, no fim, minha maior questão com Resident Evil não está exatamente na execução.


Está na expectativa criada pelo próprio nome.


Porque se você entra esperando uma adaptação tradicional dos jogos, talvez você sinta falta de muita coisa.


Mas, se você consegue olhar para o filme como uma nova história dentro desse universo, existe bastante coisa aqui para aproveitar.


E agora eu preciso falar do final.


SPOILER A PARTIR DAQUI.


Pra mim, uma das decisões mais corajosas do filme está justamente no destino do Bryan.


Durante toda a história, a gente acompanha esse personagem, entende a situação dele e torce para que ele consiga sobreviver. A gente quer que ele escape daquele pesadelo.


E aí o filme pega justamente esse personagem e leva ele para o outro lado.


Bryan se transforma em um dos monstros daquele universo.


E isso é muito interessante porque ele poderia facilmente ser uma criatura de Resident Evil. Poderia ser um inimigo que você encontra durante o jogo, um monstro que aparece no caminho do protagonista, quase um NPC de Resident Evil que você enfrenta sem sequer saber toda a história que existe por trás daquela criatura.


Só que nós sabemos.


Nós acompanhamos aquele cara.


Nós torcemos por ele.


E é justamente por isso que essa transformação tem tanto peso.


Eu acho que foi uma decisão muito corajosa do Zach Cregger fazer esse final, porque a escolha mais óbvia seria transformar o Bryan no herói que consegue escapar daquele pesadelo.


Mas o filme faz o contrário.


Ele transforma o personagem que você passou a história inteira acompanhando em parte daquele próprio horror.


E, sinceramente, são pouquíssimos diretores que teriam coragem de fazer uma coisa dessas com o protagonista de uma história.


Pra mim, é justamente essa escolha que faz o final funcionar tão bem.


E talvez seja também nesse momento que o filme consiga responder melhor à pergunta que fica durante toda a sessão:


"por que isso se chama Resident Evil?"

 
 
 

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