Obsessão (2026)
- Diego Nicolau
- há 2 horas
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“Obsessão”, dirigido por Curry Barker, acompanha Bear, um jovem completamente apaixonado pela amiga Nikki. Sem coragem de admitir o que sente, ele encontra um artefato sobrenatural capaz de realizar um desejo. Então ele pede que Nikki o ame acima de tudo. O problema é que o desejo funciona… e vira algo muito mais sombrio, perturbador e perigoso do que ele imaginava.

Existe uma diferença muito grande entre um filme que quer te assustar e um filme que quer te deixar desconfortável. “Obsessão” entende isso perfeitamente. O terror aqui não vive só nos sustos ou nas cenas violentas. Ele vive na tensão constante, naquele sentimento estranho de perceber que tudo está errado mesmo quando aparentemente está tudo normal.
Foi uma das maiores surpresas do ano pra mim. O filme chegou quase sem fazer barulho e conseguiu entregar uma experiência muito mais marcante do que muita produção gigante do gênero. Dificilmente hoje algum terror realmente consegue me atingir nesse nível, porque depois de tanto tempo assistindo filme de horror você acaba pegando os padrões. Só que “Obsessão” quebra isso o tempo inteiro.
O Curry Barker dirige o filme de uma maneira muito inteligente. Até quando parece que a cena vai seguir um caminho previsível, ele muda completamente a direção e deixa você vulnerável de novo. O filme não deixa o espectador descansar. Existe uma sensação contínua de apreensão, como se alguma coisa horrível estivesse sempre prestes a acontecer.
A trilha sonora ajuda demais nisso. Tem momentos em que o som deixa as cenas ainda mais sufocantes, aumentando a ansiedade. E visualmente o filme também sabe exatamente o que quer ser. Tudo parece íntimo, estranho e desconfortável ao mesmo tempo.
Mas quem rouba o filme mesmo é Inde Navarrette. A atuação dela é absurda. Ela consegue alternar entre vulnerabilidade, obsessão, tristeza e terror de uma forma muito natural. Tem cenas em que ela simplesmente está parada olhando e ainda assim consegue deixar tudo inquietante. É aquele tipo de performance que fica na cabeça.
Tem uma cena específica que ficou na minha mente, ela trabalha uma dualidade muito pesada entre desejo e destruição. E aí o filme acerta num lugar muito mais incômodo. Porque não existe reflexão bonita ou redenção nessa troca. Existe alguém que está vendo a pessoa que diz amar em colapso total, e ainda assim não consegue sair do centro da própria vontade. Sobre como o desejo dele continua falando mais alto do que qualquer sinal de destruição na frente dele.
“Obsessão” pega uma premissa simples e transforma em um terror sufocante sobre carência, dependência emocional e o perigo de querer controlar sentimentos. É um filme que incomoda do começo ao fim e continua na cabeça mesmo depois dos créditos.





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