O Fim da Rua (2026)
- Diego Nicolau
- há 11 minutos
- 2 min de leitura
O Fim da Rua parte de uma premissa que, no papel, parece muito mais interessante do que o filme consegue entregar: uma família se vê presa dentro de casa quando uma espécie de barreira inexplicável surge ao redor da vizinhança. Do lado de fora, o mundo mudou completamente, e criaturas pré-históricas passam a ocupar as ruas. Entre dinossauros, sobrevivência e conflitos familiares, eles precisam descobrir como continuar vivos enquanto tentam entender o que aconteceu.

É uma ideia absurda, divertida e cheia de possibilidades. O problema é que O Fim da Rua parece ter medo justamente delas.
O filme é aquele típico entretenimento de sessão da tarde. Funciona enquanto você está assistindo, diverte em alguns momentos e tem uma premissa suficientemente curiosa para prender sua atenção. Mas, durante a sessão, eu me peguei diversas vezes olhando para a tela e pensando: “não é possível que eles realmente escolheram fazer isso”.
Quando os dinossauros aparecem, existe algo genuinamente fascinante naquele mundo. Mesmo quando o filme economiza e decide mostrar apenas uma pata, um rabo ou parte de uma criatura, a vontade é de ver mais. E quando finalmente entrega os dinossauros de forma mais completa, o resultado é divertido e visualmente muito mais interessante. É justamente aí que fica evidente o potencial desperdiçado.
Porque O Fim da Rua permanece quase sempre na primeira camada. Ele apresenta situações que poderiam render discussões muito mais interessantes sobre sobrevivência, família, medo e até sobre o próprio mundo que criou, mas prefere seguir pelo caminho mais seguro.
Existe uma decisão específica que me deixou muito feliz justamente porque parecia uma demonstração de coragem do roteiro. Finalmente pensei que o filme fosse assumir as consequências das próprias escolhas. Só que, pouco depois, ele recua. E esse movimento resume bastante a experiência: quando O Fim da Rua parece prestes a se tornar algo mais interessante, ele volta para a zona de conforto.
Anne Hathaway está muito bem e consegue sustentar boa parte do filme. O restante do elenco é funcional, cumprindo bem o papel que o roteiro oferece, mas sem muito espaço para ir além.
No fim, é um filme que eu não diria que é ruim. Ele diverte. E talvez esse seja justamente o problema: existe uma diferença enorme entre um filme que funciona durante a sessão e um filme que permanece na cabeça depois dela.
O Fim da Rua é o tipo de filme que você assiste no shopping porque já viu os melhores filmes em cartaz, compra a pipoca, se diverte durante duas horas e sai pensando que não foi uma experiência ruim.
Mas eu dificilmente vou chegar daqui a alguns anos e pensar: “pô, um filme que eu vi e gostei foi O Fim da Rua.”
É um filme esquecível com uma ideia que merecia ser inesquecível.
Eu esperaria chegar no streaming.





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