A Morte do Demônio: Em Chamas (2026)
- Diego Nicolau
- há 1 dia
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Sébastien Vaniček assume o comando do novo capítulo da franquia e entrega uma história que acompanha Alice, uma mulher que, após perder o marido, busca abrigo na casa da família dele. O que deveria ser um momento de luto rapidamente se transforma em um pesadelo quando os Deadites começam a possuir um a um os moradores da casa, desencadeando uma sequência de carnificina que coloca todos em uma luta desesperada pela sobrevivência.

Se existe uma coisa que Evil Dead Burn faz com excelência, é honrar a tradição da franquia de transformar violência em espetáculo. O gore atinge um novo nível, com mortes extremamente criativas, brutais e memoráveis. A sequência envolvendo o encosto do banco do carro é daquelas cenas que ficam gravadas na memória e mostram que a série continua encontrando maneiras de reinventar sua violência sem perder a identidade. É o tipo de filme que parece se divertir em testar até onde consegue levar o absurdo.
Boa parte desse mérito vem da direção de Sébastien Vaniček. A movimentação de câmera é dinâmica, a construção das cenas transmite uma energia caótica e existe uma clara vontade de experimentar visualmente. Dá para sentir um diretor completamente à vontade com o universo de Evil Dead, buscando novas formas de causar impacto a cada ataque dos Deadites. Não à toa, esse foi um dos aspectos mais elogiados pela crítica internacional, que destacou justamente a intensidade da direção e a criatividade das sequências de horror.
O problema é que toda essa criatividade visual acaba pesando mais do que seus personagens. Diferentemente de Evil Dead (2013) e Evil Dead Rise (2023), aqui falta um vínculo emocional com quem está em cena. Em nenhum momento existe aquela sensação de torcer para alguém sobreviver. Conforme os personagens vão morrendo, a reação acaba sendo mais de indiferença do que de tensão, e isso diminui o impacto dramático do filme.
Outro elemento que me tira do filme é o humor. Algumas piadas funcionam e ajudam a aliviar a tensão, mantendo um pouco da irreverência clássica da franquia. Porém, conforme o filme avança, esse recurso passa a ser repetido em excesso. O mesmo tipo de piada retorna tantas vezes que deixa de ser engraçado e começa a quebrar a imersão justamente nos momentos em que o horror deveria falar mais alto.
No fim das contas, Evil Dead Burn é um prato cheio para quem procura criatividade nas mortes, efeitos práticos impressionantes e uma direção cheia de personalidade. Mas, apesar de toda a violência inventiva, falta um componente essencial para fazer esse massacre realmente importar: personagens pelos quais valha a pena torcer. É um filme que impressiona pelos litros de sangue e pela inventividade, mas que dificilmente alcança o impacto emocional dos dois últimos capítulos da franquia





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