Dia D (2026)
- Diego Nicolau
- 9 de jun.
- 2 min de leitura
Existe algo fascinante em assistir a um novo filme de Steven Spielberg. Mesmo quando a história não funciona completamente, há um domínio da linguagem cinematográfica que poucos diretores possuem. Em Dia D, esse talento está em evidência do início ao fim. A câmera se movimenta com elegância, a trilha sonora reforça constantemente o sentimento de aventura e a atmosfera remete aos grandes clássicos de ficção científica que ajudaram a definir a carreira do cineasta.

Não é difícil entender por que boa parte da crítica tem recebido o filme com entusiasmo. Spielberg transforma a experiência em algo acessível, divertido e visualmente envolvente.
Mas existe uma diferença entre um filme ser envolvente e um filme ser profundo.
Dia D parece constantemente interessado em temas maiores do que sua própria narrativa consegue desenvolver. A chegada dos alienígenas abre espaço para discussões sobre fé, religião, medo coletivo e a necessidade humana de encontrar respostas diante do inexplicável. São questões ricas e potencialmente fascinantes. O problema é que o roteiro raramente se permite explorá-las além da superfície.
O mesmo acontece com as teorias da conspiração, os conflitos políticos e até mesmo com seus personagens. Tudo está presente. Tudo parece importante. Mas quase nada recebe tempo suficiente para amadurecer. A sensação é de assistir a um filme recheado de boas ideias que passam correndo pela tela antes que possamos realmente mergulhar nelas.
Talvez o maior problema esteja justamente nessa tentativa de abraçar muitas propostas ao mesmo tempo. Há material para diferentes filmes coexistindo dentro da mesma obra. Um thriller conspiratório, uma ficção científica filosófica, um drama sobre fé e até um blockbuster de aventura. Nenhum desses caminhos é ruim individualmente. O resultado, porém, acaba transmitindo a sensação de que muito foi colocado na panela e pouco teve espaço para cozinhar.
Isso não significa que o filme seja ruim. Longe disso. Spielberg continua sendo Spielberg. Existem cenas inspiradas, momentos de emoção e um senso de espetáculo que muitos diretores contemporâneos simplesmente não conseguem reproduzir. O problema é que, quando o filme acaba, sobra menos do que o filme promete durante sua duração.
Dia D funciona muito bem enquanto está acontecendo. É agradável, divertido e fácil de acompanhar. Porém, quanto mais penso sobre ele depois da sessão, mais percebo que boa parte de suas ideias permanece inacabada. O que deveria provocar reflexão acaba se tornando apenas sugestão.
Talvez por isso eu tenha saído mais decepcionado do que encantado. Enquanto muitos enxergaram um grande retorno de Spielberg à ficção científica, encontrei um filme competente e repleto de potencial, mas que nunca alcança a profundidade necessária para transformar suas ambições em algo verdadeiramente memorável.
No fim das contas, Dia D me parece mais próximo de uma excelente sessão da tarde do que de um dos grandes trabalhos de Steven Spielberg.





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