Babygirl
- Laercio Barbosa
- 17 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
"Babygirl" mergulha de forma inesperada na complexidade do desejo feminino, recusando-se a simplificar sua protagonista ou seus atos. A história se desenrola como um estudo de personagem, que não busca justificar nem condenar suas escolhas, mas sim compreender os múltiplos fatores que moldam sua jornada.
Acompanhamos Romy (Nicole Kidman, ótima) uma mulher que, além de lidar com seus próprios desejos e ambições, carrega o peso de ser vista como um símbolo para outras mulheres em um mundo empresarial dominado por homens. É um papel glorificado, mas também sufocante, e o filme analisa alguns pontos de pressão que tornam sua vida um campo de batalha emocional e social. Ela é uma mãe dedicada e uma esposa que na maioria das vezes tenta agradar seu marido (Antonio Banderas). Até que pouco a pouco ela se vê envolvida por um jovem atraente e misterioso que começa a trabalhar na sua empresa.
A protagonista é apresentada com honestidade, suas vontades e atos expostos sem filtros, mas também sem a sombra de julgamentos morais.
A força de "Babygirl" está em sua recusa em ceder à tentação de moralizar a história, desafiando as narrativas tradicionais ao apresentar um mundo sem heróis ou vilões. A obra não escolhe lados e nem entrega respostas fáceis, mas convida o espectador a observar, refletir e, talvez, reconhecer algo da condição feminina em sua complexidade. A direção e o roteiro são cuidadosos em manter esse equilíbrio, permitindo que o filme se torne não apenas um espelho para a protagonista, mas também um convite para que olhemos mais de perto as expectativas que recaem sobre mulheres que ousam existir ou pensar fora das normas. Note como Romy vai se aproximando mais da filha mais velha Isabel (Esther McGregor), que é a “rebelde” da família, conforme ela vai se comportando de modo mais inesperado.
A performance de Harris Dickinson se ajusta ao que a sensação que a obra quer gerar: nem ele sabe direito o que está fazendo e muitas das vezes vemos ele questionar ou hesitar nas próprias atitudes - que em outros filmes seriam claramente definidas como suspeitas ou mal-intencionadas logo de cara.
No fim, "Babygirl" é um filme que provoca e instiga, celebrando a autonomia de sua protagonista enquanto expõe, com nuances, os desafios de ser uma figura poderosa em um mundo cheio de contradições. Uma obra que entende que o desejo feminino é tão multifacetado quanto a própria mulher e que encontra força em sua recusa em rotular ou reduzir sua complexa protagonista a um único tom.
Nota: 8,5




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